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Mar #1

escrito por marlene cerm, em 26.01.12

Signo Aquário: 

"Doce menina que mero idílio deseja sofregamente. Deve ter, certamente, um rosto fino, olhar distraído, maçãs do rosto salientes, nariz perfeito e uma boca bem desenhada; é, provavelmente, magra. Em suma, é moça preclara. Sua índole em antíteses baseia-se, diga-se de dócil passagem. É insigne, inteligente, dotada para as ciências, para as artes, principalmente a arte de criar, de inventar. Doce e melancólico uso de palavras em criptografia feito.

Compaginar é rápido, travar amizades é um hábito fácil. A sua personalidade é um alegre zéfiro na vida das pessoas com quem se cruza. Não lhe criem baluartes em seu torno, ela não é posse, é mero torvelinho. Sua independência é o ar que respira, é a indemne da sua personalidade, em nada constante. Gosta de viver, é um simples vislumbre na sociedade, um imprevisto constante que marca: exiguamente, profundamente! Não lhe exijam sacrifícios, não lhe exijam mudanças no seu modo de ser porque, mal o façam, ela vos abandonará, causar-vos-á bagadas.

Nas amizades, tudo perdoa. No amor, tudo a magoa. Não obstante, brinca. Venera o perigo, os mistérios, os aspectos derisórios duma relação. Sedutora, talvez fria, mas sempre fascinante. Não desculpa uma decepção, venera a perfeição. Por vezes, é agressiva. Louvem-na, porém, pois ela é sereia algures a cantar, possante do signo que abraça o mar. É contraproducente. E dá-se, docilmente, o remanso, pois, esta sereia, tem ócio no seu bradar."

in Chá de Lúcia-Lima.

 

 

Chamam-me Mar, sou do signo aquário, tenho dezoito anos e cresci no campo. Quero ser médica, quero escrever, quero viver. Cresci a ser gozada, mas ingénua do redor, amparada do ruído. Nunca tendo direito à minha opinião, sempre vivendo num cárcere, tornei-me no que hoje sou. Desse modo, na pele ebúrnea não há marcas, mas no âmago são inúmeras. Sinto-me só, sem saber ao certo quem sou ou para onde vou. O meu estado de espírito seria perfeitamente descrito com a palavra dormência, nem alegre, nem triste, apenas deambulando, vivendo egoistamente. Mas, felizmente, há a criatividade que embeleza tudo. Apenas quero ser recordada por quem realmente sou e não pelo quadro que todos pintam. Sou personagem trivial, num conto que ninguém lê, um mero cliché neste mundo deplorável e em nada cabal. Assim sendo, fartei de agir como “eu” que outrora todos exploraram, mas nunca conheceram. Serei Mar, serei frágil como muitos e melhor que alguns. Não serei eu no meu leigo viver, não serei alguém a elanguescer. 

 

Com amizade,

Mar.

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